terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
bolsos cheios de expectativas
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
dezasseis, 16, diz às seis
Temo-la externa, acusatória e arranhada nas íris. Dedo apontado à cara. Confunde-nos, aborrece-nos, reformula-nos e oferece-nos um resultado palpável nas entrelinhas. Insatisfeitos satisfazemo-nos com isso e oferecemo-la de regresso aos outros - e de bom grado:
- Anda amigo; vem crescer no mundo dos grandes. Vamos todos ao Gólgota expiar os nossos pecados. Não digas que não… senão.
Ou então, coitadinhos, viramo-nos para o lado e pedimos retrocesso, sublinhados, dados estatísticos que comprovem a fórmula original:
- Anda amigo, diz-me que estou certo; que é verdade; que é sempre assim.
Depois existe a culpa interna. Irregulada pelos de fora e incontrolável por nós. Aquela menina que remói dentro do peito, o cadáver escondido nas sombras do movimento dos cabelos, o pisa-papéis coronário. Traço genético que nos faz semi-viver imbuídos no seu aroma de formol.
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
a tragédia do sr. godinho
Certo dia numa das sua caminhadas aconteceu a tragédia!!! (rufar de tambores) Apaixonou-se. E logo por quem! Pela árvore mais alta e fria da floresta.
Nunca lhe chegaria, nunca ela o conseguiria acompanhar, o papel passou a parecer-lhe mórbido e as amoras sangue.
Godinho infeliz decidiu fechar as portas do silêncio e gritar aos quatros ventos a sua tragédia. Apenas dois dos ventos o ouviram tombando a árvore em cima de Godinho.
Fertilizaram juntos a mesma terra.
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
terça-feira, 9 de novembro de 2010
vaga brecha esse fuso
Existem vários elementos pretos no meu tabuleiro de xadrez. Os quadrados e as peças: O Sr. Lei, a Sra. Lainha, os Chavalos, os Bichos, as Touras e os Pinhões. Os elementos brancos são inexistentes.
Eu proponho várias vezes aos meus comparsas a criação de mais três ou quatro tipos de peças baseadas na entropia apresentada pelo movimento perene da folha da coca.
Eles preferem mascar apenas como camelos debaixo da sombra. E trazem-me por vezes, de forma bem apresentada, mulheres bonitas de seios fartos, mas rijos, com a tez brilhante da juventude, ventres lisos e sexos apetitosos.
Eu ganho-lhes sempre ao xadrez e depois vou mergulhar no mar e conversar com as gaivotas enquanto partilho com elas o salgado das ondas.
Os meus pais sempre me disseram para ter cuidado, mas eu nunca consegui deixar de ejacular perante a visão deslumbrante de um belo prato de lasanha.
Os meus chinelos, por causa disso, estão sempre cheios de areia. Guardo-os sempre cá fora quando vou pensar no xadrez.
Sob uma almofada ficam também as minhas esperanças de corroborar a existência de um cheiro que me agrade. O senhor Lei e a senhora Lainha habitam assim muito tempo dentro das minhas narinas. Evitam o cheiro de entrar.
Quando lambo as costas de uma mulher fico olfactivamente ausente pela felicidade que isso me traz. O sabor a deus é extasiante. Faz-me ganhar ao xadrez.
Procuro-me sempre nos quadrados marotos dos cocos, mas só estou aqui a morder os dedos por detrás das unhas. Pelo menos ainda sei o que me espera, e embora isso não tenha directamente a ver com marmelos rosados e carnudos, isso agrada-me sobremaneira.
Vou pintar todos os elementos do meu xadrez de preto e acabou-se.
Pranto final.
manifesto do proTeLariado
Já tive mais paciência.
Agora; Hoje não. Ponto final no adiar da paciência e chafurdar no tédio do amanhã.
Façamos coisas é hoje! Porque apenas esse todo, isso é que interessa verdadeiramente.
Somo úteis e temos força e é AGORA que este combustível motriz tem que ser utilizado.
Já tive mais paciência para o discurso do “mas ai que é preciso isto e aquilo” e do “ai que eu não sei”, e do “ai que medo”, e do “agora não posso porque tenho coisas a fazer e assuntos a tratar”. Precisos somos nós! O que sabemos chega sempre para aprendermos! O medo é um menino muito mais frágil que nós! Os assuntos a tratar são só coisas de fazer entediar!
Larguemos a almofada do tédio… e hoje não é amanhã como de costume!
Já tive mais paciência para o discurso do infortúnio do destino que nos ata a as mão atrás da cabeça impedindo-nos de usar ambas: o ai que está mal; ai que me dói a cabeça; ai que seca; ai não sei; ai que se fosse assim…
Cortem-se as amarras. Que seja feita a nossa vontade transformando o mal em motivos de orgulho. Que venham os analgésicos! As pílulas da decisão!
Pois então, assim seja!
Assinemos os assins na história, não os sopremos como o fumo etéreo e efémero do tabaco.
E porque não? Porque sim. Porque podemos e isso basta. E se podemos tem que ser hoje, agora, já e aqui.
NÃO HÁ NADA MAIS IMPORTANTE PARA FAZERMOS DO QUE O QUE TEMOS PARA FAZER AGORA! ISTO MESMO
Já tive mais paciência para a revolução sonhada – des rêves, toujours des rêves - mas os sonhos são só uma treta por si só, oh sonhadores!
As realidades que fazemos deles é que interessam na luta contra o amorfo, o procrastinador, o letárgico, o comatoso que existem confortavelmente instalado dentro de nós.
Já tive mais paciência para morrer aos pequenos pedaços na lama lodosa do ai que aborrecimento hoje, amanhã resolve-se.
HOJE. AQUI. PARO COM A PACIÊNCIA TODA.
Abaixo agora o protelar.
Abaixo hoje com o protelar tudo o que queremos ser depois.
Sejamos hoje e aqui.
A revolução vai começar? Isso era antigamente!
A revolução começa agora…
A REVOLUÇÃO JÁ COMEÇOU!
Protelariados do mundo uni-vos!
Protelariados do mundo extingui-vos!
Protelariados do mundo ESCREVAM AS VOSSAS MEMÓRIAS HOJE!
segunda-feira, 11 de maio de 2009
catorze, quatorze, 14 ou 07/01/2008
Hoje é o dia que todos sabem ser e aqui começa o abismo do mundo. Todo o abismo do mundo começa aqui na ponta dos nossos dedos, até onde o nosso olhar alcança, os nossos ouvidos ouvem, o nosso nariz cheira, a nossa imaginação (essa prisão) nos permite. Aqui começa a vida, a marca, o passado escrito no futuro e os desvios do destino. Aqui e hoje somos hoje e aqui e começamos o interminável. As nossas mãos podem. Aqui, hoje, as nossas mãos não são mais do que o nosso futuro. As nossas unhas arranham as cordas da nossa música, a pele cristaliza e esticamos o crescer. A caneta não chega sequer para se perder.
Hoje é o dia!
E vai ser sempre assim!
sexta-feira, 3 de abril de 2009
treze, treuze, 13
A rotina que nos circunda causa um inevitável tédio reconfortante ao qual nos agarramos apenas quando o abandonamos. Mas tirando o abandono, não se fazem esforços para modificá-lo por dentro. Para transformar os motivos de queixa eclipsando-os em nuvens de satisfação. Talvez porque se tal acontecer depois não haja tédio onde regressar, e isso é algo terrificante.
Por isso, paramos quase todos os dias no mesmo sítio para conjecturar as várias maneiras de fugir de Braga. Paramos em Braga sempre a conjecturar outro sítio onde possamos parar.
Fugimos e deixamos cá ficar a rotina para podermos voltar, como boomerangs lançados por vontades alheias.
Transformar Braga em algo desrotinizante seria, desta forma, negar a própria cidade. Sem ter que parar no mesmo sítio, sem sentir a repetição lenta de frames da cidade debaixo das pálpebras, estaríamos obviamente noutro sítio que não a nossa casabraga. Desaparecia-nos.
Eu queria mudar a cidade por dentro mesmo correndo o risco de ficar sem pára-quedas.
(vamos todos fazendo o esforço, mas uma almofada, apesar de entediante, é sempre uma almofada)
onze
doze
Quando reparo em mim a pensar, reparo que mais de muitas vezes me misturo a mim e envolvo os outros com a menina humedecida pelo Este. Pode parecer estranho só agora ter dado conta disso, apesar do presente documento ir crescendo desde há algum tempo, mas Braga é um sinal na pele das costas. Faz-me comichão, coço, comento, escrevo sobre isso, mas deparo-me com essa convivência mais que íntima só quando, através de um complexo jogo de espelhos, me deparo com a nudez de tal marca em mim; ou quando me dizem: “Ei! Tens um sinal nas costas.”
O jogo de espelhos serviu-me para constatar o óbvio. Ninguém me disse nada.
Será nocivo este sinal? Será melhor ir ao médico?
Não causa sofrimento significativo por isso não deve ser muito grave. E está de tal forma enraizado que dificilmente sairá. Em bom brasileiro nordestino: “É eu!”